agosto 12, 2005

Política

Não é do meu feitio fazer ondas, sou mais do estilo "live and let live", mas alguém me explique porque é que não fazemos um novo 28 de Maio, ou um novo 25 de Abril. Algo que mostre como estamos insatisfeitos, não tanto com as medidas que estão a ser tomadas para ver se isto volta a entrar nos eixos, mas com a falta de ideologia, crenças e vontade de melhorar que, neste caso, os políticos parecem ter.
Não percebo como ainda continuamos a votar em quem não acreditamos, só porque foi sempre assim que votámos, ou porque estamos "zangados" com o nosso partido.
O mundo, o país, as pessoas já não acreditam. Têm valores, têm opiniões, têm ideologias, mas já não acreditam que possam mudar, fazer a diferença. Isso de que cada um pode fazer por melhorar um bocado o mundo é utópico, é preciso que todos acreditem que se se juntarem a uma causa ela resultará. Não basta eu reciclar o meu lixo, ou dar a minha roupa aos pobres, é preciso que quem lidera, e que quem tem poder de decisão, que pense em algo mais que o seu bem-estar, que deixe de ser mesquinho e mimado.
Não andaremos para a frente enquanto houver intrigas, egoísmos e abusos.
Se todos fossemos bons a vida perderia parte do seu interesse, mas que a maldade fosse apenas roubar uma flor de um jardim.

agosto 03, 2005

Pombo

Sentada na paragem do autocarro preocupada com os meus afazeres, oiço um estrondo mesmo ao meu lado e sinto penas a tocarem no meu braço. Olho. Um pombo, na ânsia de ir comer, o que um "senhor de terceira-idade deitava ao chão, uns metros mais atrás da paragem, fez um erro de cálculo e, querendo ser o primeiro, enfaixou-se paragem de bus adentro. Com a mesma rapidez com que entrou saíu. Perdiu-o na multidão de pombos que ia em direcção à comida, mas ainda agora me pergunto como é que ele sobreviveu e não ficou sequer atordoado com a situação.

Festival de Músicas do Mundo de SInes

O fim-de-semana que passou levou-me até Sines a ver um conjunto de bandas de vários países, de quem não sabia nada.
O festival começou na quinta (ao que ouvi dizer foi muito bom), mas eu só pude ir na sexta. Quando cheguei, já tinha começado um senhor dos Estados Unidos da América que, pelo que ouvi dizer, funcionava de improviso, talvez fosse essa a razão de aquilo não ter corrido muito bem. Não era o meu estilo de música, mas a verdade é que aquilo também não me soava a nada, não me identificava. No guia dizia um dos Melhores Guitarristas do Mundo, só gostava de saber de que mundo....
A seguir veio uma banda mexicana que trazia os seus próprio efeitos visuais - um fato para cada música. As músicas eram de um estilo tradicional, mas o que lhe dava encanto era a roupa. Fatos coloridos, temáticos, espampanantes. Desde comida, a sexo, passando pelos crimes passionais e a desconcertante política actual, ela cantava de tudo.
Os últimos da noite, no castelo, foram os brasileiros, sempre muito à frente, o senhor que dá nome à banda parecia o Pai Natal, a vocalista da manda deve comprar cordas vocais sempre que acaba um concerto, com tantos agudos não sei como é que ela ainda consegue falar... Estes sim tinham técnica de improviso, música calma e ritmada, ritmos brasileiros, misturados com jazz. O melhor: as sapatadas no órgão para "fazer música" (se Maomé não vai à montanha, a montanha vai até Maomé). Foi muito bom.
A festa continuou junto à praia, mas o cansaço era muito e os senhores africanos eram muito calmos para fazer trabalhar a adrenalina. Fui dormir.
Dia 2, ou três se pensarmos que começou no dia antes de eu lá chegar, Samurai 4, o melhor do festival. Não tenho palavras.
À noite, a banda mais antiga do mundo (marroquina), KTU e Killa passaram pelo palco do castelo. As três bandas eram muito boas, mas: os marroquinos eram monótonos (mais de 5 minutos do mesmo ritmo e o meu corpo entra em colapso), valeu um dos membros abrilhantar a performance com uns passos de dança para por o "pessoal" a mexer; os "filandoamericano" perderam pelo caos melodioso, começavam bem, mas a certa altura tornava-se numa confusão musical tão grande que eu só conseguia perceber "tinónis" de ambulâncias, mais uma vez 5 minutos eram o suficiente para ouvir a música. A música irlandesa dos Killa, misturada com rock e jazz fazia um conjunto agradável que nos punha a saltar.
Foi um festival muito bom, melhor que qualquer festival de verão, talvez por ter bandas menos conhecidas se tornasse mais íntimo e acolhedor. O preço quase irrisório, comparado com outros festivais de verão, também mostra que o importante é a festa e não o lucro.